domingo, 17 de abril de 2011

Eu sei, mas não devia

Eu sei, mas não devia
Marina Colasanti

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto. 

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se 
acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.


li esse texto a um tempo atrás achei que definia essa época da minha vida, bem 
boa diversão para todos


quinta-feira, 31 de março de 2011

Sou um estranho em um lugar qualquer


Sou de um lugar onde “sou foda “ não e uma piada de mal gosto, sou de um lugar onde  crianças não são inocentes  e sim indolentes  com sigo mesma, onde o erro esta em pensar e o acerto no impulso, vivo em um lugar onde o crime e ser diferente onde, ser igual  e não só o aceitável mais também a lei, onde o importante e como e o vestido de sábado a noite e não a prova de segunda feira, onde se diz que o futuro da alma esta distante mais o presente da carne  e o  prato principal, onde as novinhas  de 14 são as gostosas e as mulheres de 27 são as passadas .
Você agora deve ta pensando que eu to falando merda ou que  to inventando historia. Porem  peço que abra os olhos e olhe para o mundo ao seu redor, escutem com a tenção as novas musicas populares, observem as mídias atentamente.

  você que tem mais de  20  peço que  volte sua memória aos 15 anos de idade,  e preste atenção no como era namorar  na sua época  e comparem no como é namorar hoje .
o fato e que meninas  cada vez mais novas  pensão  e fazem sexo como se fosse pular amarelinha, se ainda  fosse com meninos de  idades parecidas  seria menos pior , porem   o que mais tenho visto  e marmanjo de 25 com novinhas  de 14.
Pensem  sobre isso e vamos reagir sobre isso de alguma forma, não podemos deixar a juventude se perder. 

Ainda duvida de mim?
Então façamos um teste  digita ai no imagens  Google  novinha de 14 rapidinho.
Diz o que achou nos comentários !

quinta-feira, 17 de março de 2011

Morreu o carnaval



É o fim, acabou o barulho, acabou a multidão, acabou a folia, os boêmios voltaram as suas casas, os foliões as suas vidas normais, a malandragem deixou de ser cultuada, volta a monotonia e a normalidade, a cidade deixa de ser palco de pierrôs e colombinas e volta a seu corre- corre cotidiano, as fantasias são guardadas em seus cantos escuros e a marmita sai da dispensa , o pião volta a obra e o doutor  ao sua mesa, a cidade deixa de ser colorida e volta a ser preta e branca, no lugar da igualdade  do oculto  a desigualdade da realidade, onde haviam  foliões agora há leões, acabou a democracia do caos, a ordem se instala, o louvor a Baco cessa agora um deus  verde se Poe no seu lugar.

É hora de voltar, o bumbo não marca mais o compasso de nossos corações, os tamborins não ditam nossas palavras, fechou-se as escolas de sonhos e se abriu as de realidade. Agora homens são homens e mulheres são mulheres, os risos sumiram das ruas, somente o silencio das buzinas atrasadas reinam.

Dentro de cada pessoa uma lembrança de felicidade, dentro de cada pessoa uma aventura fora da realidade, de uma época onde piratas e palhaços pulam juntos lado a lado, dentro de nossas mentes as serpentinas  e confetes adormecem, esperando os bumbos e tamborins  mais uma vez romperem o silencio, a chave ser entregue a um novo rei, e que mais uma vez que a orgia ¹  se instale nas ruas, então as cores voltam a cidade, as fantasias saem dos armários  e os sonhos das mentes.

E assim, mais uma vez nascera o carnaval.

1-.Festa solene em honra de Dioniso ou Baco, na antiguidade greco-romana; bacanal.  Entretenimento, que, em geral, inclui companhia alegre2 (6), bebidas, etc. [Sin.: farra, esbórnia, e (lus.) borga.]
Fig. Desordem, tumulto; anarquia.
Profusão; desperdício:

 
bem o carnaval acabou e espero q você tenha curtido como curti o meu  abraços e boa diverção.